terça-feira, 31 de maio de 2022

cores de outono

De que cor era o seu vestido? Sua camisa, seu manto encantado?
Colorido como as folhas e flores secas do outono tecendo o inverno
Inverno no peito?
O calor dos olhos dele era minha fogueira acesa no pensamento
afugentando os fantasmas selvagens de minha alma cansada
Chorar quando qualquer lembrança se desenha na memória
Imaginá-lo despido de toda roupagem de uma identidade... distante da sua real?
O que era real entre desejos que se debatem e costumes que se engolem
feito remédio ruim mas que "é preciso para não morrer"?
Não tive tempo de enxergar suas verdades veladas
Imaginar era maior do que viver
Nós se formam entre meus dedos buscando a ponta
da linha inicial da história que me dirá onde posso recomeçar
Posso? 
E se?
Onde ele estaria? Será que se abriria, estaria disposto? 
Entre passos ligeiros e quedas bruscas o tenho buscado
como busco a mim mesma dentro do caos das realidades
que se chocam a todo momento
Me guio pelo som... o som do seu sorriso?
O som dos seus olhos
Vejo sua temperatura 
Agonizo em abstrações
Recuperar ou Reconstruir ou ainda esquecer e Seguir?
Cores brincam diante de olhos fechados num aperto
e junto com os olhos o corpo se contrai 
Fechando dentro de si mesmo
Ao passo que me encolho
O todo de mim se expande
se rasga e se espalha no espaço
feito folhas de outono ou papeizinhos descoloridos jogados
do alto de alguma árvore ou concreto
Quais eram as cores?
Saber seria como entender um mapa antigo
Encontrar o caminho


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