Talvez eu não consiga escrever o suficiente ou adequadamente. As dores parecem tantas. Ao passo que parece só vir de um único lugar, único motivo.
Todos os dias aprendemos a vida, a viver. Quando nossxs amigxs mudam de emprego, de rotina, de modo de vida, quando começam um romance, quando se mudam, quando querem ter filhxs, quando xs tem.
A gente conversa pouco sobre as coisas, guardamos sentimentos, verdades pequenas, mentiras feito lasquinha de madeira incomodando no dedo.
Tenho ciscos nos olhos. Por mais que os lave, com água corrente da torneira, água de rio, água do mar, eles não vão embora.
Por que a vida não nos dá um tempo para certas dores mudarem de lugar? Talvez somos nós que não nos damos ou nos oferecemos
uma vida melhor. Quem faz o quê? Nós fazemos a vida ou a vida nos faz?
Nos julgam pela nossa aparência, nossa classe social, nossa idade, identidade de gênero, nossa orientação sexual, a cor da nossa pele, pela posição que os planetas e constelações estavam no momento em que nascemos... Menos pelo nosso caráter. É difícil se abrir para conhecer realmente alguém?
Bombas explodem do outro lado do mundo e as paredes do meu quarto desabam. Pessoas desabrigadas, refugiadas, fogem da fome, da guerra, do terror...Levantando uma poeira densa de desencantos e injustiça, ciscos rasgam minha retina.

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