sábado, 21 de abril de 2018

Tiro ao alvo

Um buraco se abriu no centro de mim.
Não consigo falar, ouvir, chorar, dormir.
Desaprendi a distinguir formas e cores.
Não sei como nem onde a dor começa e termina.
O que afeta ou como afeta.
Sem olhos. Só tato.
Agarro o travesseiro, sinto meu corpo em contato com o lençol, a cama fria, o tempo fechado.
Algo atravessado na garganta.
O tempo não espera, está correndo.
Eu preciso seguir, mas não tenho pernas.
Um polvo em terra seca, só braços que abraçam o nada.
Uma voz silenciosa e pesada grita em alguma parte de mim.
"Me ajude, me tire daqui!"
Ninguém ouve. Ninguém nunca ouviu ou viu
Aquela lágrima de sangue sempre ameaçando cair do olhar embaçado.
Um buraco no centro de mim.
E me questiono como ainda existe vida
Veias, pulsação, consciência.


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