Seria justo dizer que vivia como um fantasma ainda?
À espera de ser reanimada, revivida, botões e funções reativados
À espera de ser reanimada, revivida, botões e funções reativados
ou ser composta novamente como um lugar que fora devastado
como um instrumento destruído, como a água que fora envenenada
Mércurio, Arsênio, Chumbo...
Séculos
Andava como se estivesse nas sombras mesmo na luz
Não sabia como andar na luz, como ser, como viver,
torna-se luz, ainda que não parte de algo luminoso
parte de algo iluminado
Lâmpadas, lamparinas, fogueiras, velas, chamas, corações, florestas,
céu noturno, cabeças soltas no espaço sem
as correntes da lógica
Não havia vestidos coloridos, sapatos reluzentes
meias coloridas, canções de entardecer
Velocidade ou profundidade
O som do mar, do ar,
O som do motor da moto
O som do seu riso recém reconquistado
Era qual o tempo certo?
Sabia que deveria abandonar noções antigas
binarias, unilaterais, sem viço, sem vida, sem saída
Era só um corpo vagando?Aonde estaria sua alma?
Um corpo com uma alma irreconhecida vagando por ruas vazias dentro de si?
Ruas cheias de memórias
O passado lembrando e esquecendo no presente
O presente?
Viver como um presente, uma dádiva
um pedaço de algo muito precioso e fugaz
É preciso olhar e sentir com tudo num só instante
Então a Luz se apaga, tudo se desfaz
Aprendeu depois de muito tempo
Há beleza na escuridão
Há escuridão na Luz
E cores que fazem e refazem os estados das coisas
Coisas ainda sem nome
Construindo universos
Um comentário:
Ao ler este poema, me senti lançado nas tramas da Camarilla, onde a alma e corpo de um vampiro vagueiam...pela luz, pela escuridão, por seus horrores e bênçãos pessoais.
O fantasma, que poema belo e triste ao mesmos tempo, respeitando claro, cada contexto de quem o ler.
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