Como é que você consegue mudar?
Quando é que muda tudo?
Quando tudo muda?
Amanhã é outra
De noite um peso no olhar
Aquela tarde o aperto no peito
Escondeu o sorriso
Que saiu fácil quando viu, ao longe
A silhueta dele por entre o mar de gente
Que chegava e partia de algum lugar
Para outro
Dentro e fora de si em momentos
que tudo muda o tempo todo
Ela queria brincar com os ponteiros do relógio da vida
Diante dele, ela sem olhar segurou os minutos
Um olho dentro do outro
Olhos dentro dos mundos
Erupção de imagens indo e vindo
Memória? Magia ou Loucura?
O vermelho nos lábios era como um sinal de alerta
Ele acordou do transe dos olhos dela
Estendeu sua mão de dedos longos que ela achava tão bonita e retirou sua mão do tempo.
- Deixe que passe. Que corra. Que voe. Não me importa que eu me desfaça feito papel antigo, se desapareçamos aos poucos. Com a sensação das tuas mãos me sinto eterno. Ainda que perdesse a memória, dessa sensação jamais me apartaria... Entrelaçaram os dedos.
Fecharam os olhos.
As crianças nas ruas
A bomba explodiu no outro continente
O prédio desabou no meio da madrugada
O tiro no peito vindo de onde ninguém via
A água derramando na pia
A última flor seca dentro do livro
Enfim ele era a verdade que sempre quis ser
Não somente para ela, cheiro morno, abraço protegido
Era a verdade ou a dúvida que sentia
Desejava, respirava, escrevia
Músicas saiam de seus cabelos
A eternidade era doce e dançava
O sonho era doce dança
A mudança em doçura se fazia e esquecia
Liberdade
"Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo, por isso me grito, por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias: preciso de todos." DruMmond
sábado, 28 de setembro de 2019
Ponteiro solto
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