domingo, 17 de junho de 2018

Dos ossos as cinzas

Por todas as esquinas ela sentia a leveza e o peso.
Por que se incomodar se não estava apaixonada?
Por que sentir calafrios e o vazio se sabia o que ia por dentro do coração e cabeça do outro?
Ela arrancava toda lembrança dele como se a pele arrancasse.
Cobra coral precisando se refazer.
No encontro com seus eus e sua Força Vital
Ouviu que não era necessário falar palavras sagradas ininteligíveis
ou em qualquer outro idioma que não fosse o seu para fazer parte
Conhecer o sua herança, aquilo que lhe fora dado e aguardava o seu amadurecimento.
Ela aguçava a consciência, os ouvidos da alma para ouvir
que agora era hora de criar sua própria linguagem
Sua maneira de expressão com o que podia ver e sentir
Ao tocar as pessoas, ao pensar nas pessoas
Era o seu inferno aquele conhecimento? Foi por muito tempo.
Multiplicando-se à sua dor de viver
Agora ela sabia e aprendia que aquilo, na verdade, a fortalecia
causando expansões sensoriais, cognitivas, psíquicas
Transcendências para além de suas definições
Alma de serpente encantada, aprendendo que cruzava os caminhos para construir, renovar
Ouroboros despertando em seus ossos, pulsando em seu sangue...
Um dia soprará suas cinzas
Carregando mutações dentro de si imaginava sempre:
Quem amaria uma mulher assim, de metamorfoses?
Mulher água, fogo, ar, terra, éter, cósmica?
Não era para ensinar alguém a amar, era para se amar junto
Então soube: aquele que a amaria só poderia ser alguém
tão mutante quanto ela, ou ao menos que compreendesse
assombrações e diferenças.
Aprendia a se surpreender com as simplicidades do cotidiano
lágrimas faziam sua consciência fluir feito
água corrente de rio, que sabe aguardar seu encontro com o mar



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