segunda-feira, 7 de maio de 2018

Desconhecer

Esperar, no fundo acreditando que não virá.
Lembrando para na verdade olvidar.
Sentindo no raso para não se apaixonar.
Deixando passar para não ficar, não parar
em nenhuma memória ou imagem simbólica,
semiótica brincando com giz coloridos
nas paredes das cidades dentro do peito.
O coração pulsa, enquanto o cérebro processa...
Todas as falas, gestos, endereços, sons,
texturas, sabores, cores, tons, nuances diversas
no mosaico caleidoscópico da vida num breve momento
da grande experiência de existir.
Vivo como a ave que plana sem hora para mergulhar no voou,
como quem flutua por entre águas calmas.
Talvez isso seja viver para si.
Tomar-se.
Talvez seja esse um tipo de solidão criadora.
Ela me disse: É a pessoa. A hora que não é a exata.
Como saber?
Às vezes viver com o desconhecido seja uma chave
para aprendizados não catalogados nas bibliotecas, teorias e pesquisas
mundo adentro, mundos afora.


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