Ficou ali parada, um estátua, a olhar fixamente para o rapaz que sorria por motivos desconhecidos.
Estava hipnotizada. Dizem que quando olhamos fixamente para alguém, a nossa energia se expande e afeta o campo magnético da outra pessoa ao ponto de fazer com que o outro encontre o nosso olhar.
Havia deixado de se privar de olhar profundamente para coisas que lhe agradavam.
Esqueceu o café, os minutos que passavam, aquela tristeza chata que a incomodava fazia quatro meses.
De súbito a garçonete se aproxima e pergunta se ela deseja mais alguma coisa. Sim desejava tantas coisas naquele momento. Como se despertasse de um sonho, ela gaguejou um "não, obrigada".
Quando voltou a procurar o sorriso que a fez esquecer de todos os pensamentos já não o encontrou mais. Ora, foram só segundos. Segundos podem mudar a vida completamente.
Suspirou e olhou o café morno. Odiava café morno, mesmo assim tomou toda a xícara de um só gole. Gosto que seus dias pareciam ter.
De olhos baixos ela olha os pacotinhos de açúcar. Alguém senta à mesa.
- Oi. Desculpa me aproximar assim de repente, é que percebi que você me olhava. (Ele sorriu.) Espero que o olhar tenha sido para mim.
Como é que o mundo pode se iluminar assim, num segundo? Um tanto confusa sem saber o que dizer exatamente para o manter ali, interessado. Mas, a natureza resolveu roubar-lhe todas as falas prontas e o charme que exercitava fazer quando situações possíveis acontecessem, como esta de agora.
- Não percebi que você tinha visto. Não sei se posso pedir desculpas por isso... É que seu sorriso foi a coisa mais bonita que eu vi durante meses. Não pude evitar. (Ela sorri se achando desconcertada e sem o batom adequado, o cabelo do lado que a deixava menos atraente). Desculpa se incomodei de alguma forma...
- Você não me incomodou, você me atraiu.
...............RIsca o texto, a história não é bem assim, está inacabada como a vida. A moça não é tão tola, o rapaz não tão capaz. Ela olha, ela chega. Quem se vislumbra é ele, e se considera com sorte. Reconsidera no texto a pilantragem da escritora em forjar uma ingenuidade. O Olhar era curiosidade, era desejo desenhado em outra coisa, sobre outros desenhos. Os olhos se olharam, o engolir seco, o pensamento de que a vida vai mudar lentamente, assim como está já em curso uma transformação. Galáxias, estrelas... Nem precisa o espanto. Nem tanto. Mas susto, susto tudo bem. O susto de se saber gostando de ser gostado, de acontecer algo inesperado nos dias de mesmice, longos demais para suas contas matemáticas e a sua camisa tão bem passada azul escuro, quase preto. O que realçava ainda mais o seu olhar, seus olhos, seus mundos. Ela queria devorá-los. Ela queria aqueles olhos, o mundo dentro daqueles olhos. Ela queria o que não conhecia. E não se furtaria da tentativa de alcançar.
Estava hipnotizada. Dizem que quando olhamos fixamente para alguém, a nossa energia se expande e afeta o campo magnético da outra pessoa ao ponto de fazer com que o outro encontre o nosso olhar.
Havia deixado de se privar de olhar profundamente para coisas que lhe agradavam.
Esqueceu o café, os minutos que passavam, aquela tristeza chata que a incomodava fazia quatro meses.
De súbito a garçonete se aproxima e pergunta se ela deseja mais alguma coisa. Sim desejava tantas coisas naquele momento. Como se despertasse de um sonho, ela gaguejou um "não, obrigada".
Quando voltou a procurar o sorriso que a fez esquecer de todos os pensamentos já não o encontrou mais. Ora, foram só segundos. Segundos podem mudar a vida completamente.
Suspirou e olhou o café morno. Odiava café morno, mesmo assim tomou toda a xícara de um só gole. Gosto que seus dias pareciam ter.
De olhos baixos ela olha os pacotinhos de açúcar. Alguém senta à mesa.
- Oi. Desculpa me aproximar assim de repente, é que percebi que você me olhava. (Ele sorriu.) Espero que o olhar tenha sido para mim.
Como é que o mundo pode se iluminar assim, num segundo? Um tanto confusa sem saber o que dizer exatamente para o manter ali, interessado. Mas, a natureza resolveu roubar-lhe todas as falas prontas e o charme que exercitava fazer quando situações possíveis acontecessem, como esta de agora.
- Não percebi que você tinha visto. Não sei se posso pedir desculpas por isso... É que seu sorriso foi a coisa mais bonita que eu vi durante meses. Não pude evitar. (Ela sorri se achando desconcertada e sem o batom adequado, o cabelo do lado que a deixava menos atraente). Desculpa se incomodei de alguma forma...
- Você não me incomodou, você me atraiu.
...............RIsca o texto, a história não é bem assim, está inacabada como a vida. A moça não é tão tola, o rapaz não tão capaz. Ela olha, ela chega. Quem se vislumbra é ele, e se considera com sorte. Reconsidera no texto a pilantragem da escritora em forjar uma ingenuidade. O Olhar era curiosidade, era desejo desenhado em outra coisa, sobre outros desenhos. Os olhos se olharam, o engolir seco, o pensamento de que a vida vai mudar lentamente, assim como está já em curso uma transformação. Galáxias, estrelas... Nem precisa o espanto. Nem tanto. Mas susto, susto tudo bem. O susto de se saber gostando de ser gostado, de acontecer algo inesperado nos dias de mesmice, longos demais para suas contas matemáticas e a sua camisa tão bem passada azul escuro, quase preto. O que realçava ainda mais o seu olhar, seus olhos, seus mundos. Ela queria devorá-los. Ela queria aqueles olhos, o mundo dentro daqueles olhos. Ela queria o que não conhecia. E não se furtaria da tentativa de alcançar.

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