Sentia-se desconectado de seu mundo.
As pessoas que conhecera, o lugar onde estava... Tudo era visto com estranheza.
Jamais antes se sentira e estivera tão sozinho.
Já não julgava se tinha ou não amigos, pessoas importantes, amores crescentes e estáveis na instabilidade do dia a dia.
Sabia que por cada vida que havia passado, deixara a sua marca de sonho, a sua plantação desvairada de felicidade e bonança.
Mas, e a sua própria vida? Por que tão sem sentido agora?
E os seus projetos e planos? A vida sonhada?
Ele já não andava pelas ruas se distraindo com desconhecidos e a brisa que lhe soprava leve, todas as dores.
Vivia taciturno, nunca dormia, era da cama para o tempo, do tempo para a cama. Assistindo o passar das estações.
Ela estava mais triste do que nunca, soubera. Haveria de ficar feliz com a infelicidade dela? Seria a vingança por ela o ter abandonado quando ele mais precisava do seu amor?
Essa felicidade pela infelicidade acrescentaria algo no seu imenso vazio?
Não se importava. Queria mesmo que tudo se esvaísse. Viver com dignidade é um direito humano, e a infelicidade- seja lá de quem fosse- jamais iria fazer brotar uma flor, fazer nascer peixes no rio, colocar um tijolo na construção do seu novo mundo.
Se começasse a chorar, sabia, talvez não parasse mais. Talvez se perdesse dentro de si mesmo, dentro da sua imaginação, já que a sua realidade iludida
não se diferenciava em nada das ilusões jamais desejada.
Muitas verdades dentro da mentira ou muitas mentiras dentro de uma verdade?
(...)
Era da cama para o tempo, do tempo para cama...

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