sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Antes do café




Demorei a aprender, mas a sensação é de que, de repente, acordei assim, mudada.
Eu disse a ela que o que todo mundo precisa é de alguém com quem possa conversar o que for, sem que a outra pessoa julgue, apenas refletir sobre, pensar junto no que fora dito.
No caminho se descobre coisas escondidas e guardadas, a razão para o medo, a baixo auto-estima que vive como montanha russa, ainda que se esteja muito bem por fora.
Estou tão perto do sonho realizado. Entretanto, o medo não me deixa dormir à noite, repetindo: Talvez você não consiga. Tem muita confusão na sua cabeça, dor no seu corpo... Você é fraca, não vai conseguir suportar.
Há uma parede na minha mente. Talvez a limitação do raciocínio. Sempre que estou prestes a ultrapassá-la, tudo se confunde e eu volto de onde comecei.
Essa é a minha maior questão e meu maior desafio.
Sente-se aqui, vou te contar. Não tem importância se começar a chover. Daqui a pouco é hora do café, sempre com gosto de saudade.
Todos os dias eu lembro daqueles olhos e da sua pele alva, seu cuidado. Era o amor. E no meio da lembrança, escuto sua voz a desabafar anos de ódio pela desigualdade e injustiça vivida.
Quando penso que aquele grande amigo só pensava mesmo era em posição social, por mais que negasse com a boca, todas as suas atitudes desenhavam na sua história suas escolhas e a sua convicção de que carregava uma verdade grandiosa e incontestável em si, fatos que o tornavam solitário dia após dia, adentrando os tempos de sua vida.
Atualmente conhecer alguém pessoalmente já não causa espanto e curiosidade. Me acostumei, tristemente, a esperar o tempo da pessoa partir.
Hoje que deveríamos estar abertos para as diferenças nos proporcionar ensinamentos inestimáveis, optamos por mirá-las de longe e acreditar que não vai valer a pena, que será um problema.
Depois que adoeci, acreditei, não por não ter a esperança nascendo em mim a cada manhã, toda vez que o sol aparece. Mas por ter adquirido a sensibilidade para ler olhares e ver sentimentos. A maioria de nós ainda alimenta o comportamento- ainda que inconsciente- de querer ao seu lado somente quem, aparentemente não irá incomodar, mas quem possivelmente tem histórias lindas para contar e alguma conquista social da qual poderemos usufruir, no jogo de trocas da vida.
Discorro sobre Teorias...
(...)
Fique para o café. Prometo que hoje ele terá um sabor novo.
Não te contei que toda vez que sinto sinceridades, meu universo interior se expande e eu invento realidades para viver, pintando as paisagens que surgem do encontro com a criatividade esquecida na infância.
Fique para o café. Ofereço a garantia de sabores psicodélicos e desta vez eu prometo: Nada mais esfriará ou passará do ponto.



Nenhum comentário: