Há 2 dias ela não levanta da cama.
Toma banho por causa da água quente no corpo, do perfume do sabonete,
da sensação de renovo e da consciência que depois do banho, como uma criança, adormecerá.
Come por muita insistência da mãe. Fome não tem. Quando tem, é a alma que ela quer alimentar.
É só um tempo, mais um processo, logo passará.
É que àquelas palavras doeram profundamente, feriu mais que espada, bala ou faca.
Abriram pequenas feridas nos seus dedos das mãos.
Seu cabelo voltou a cair. Sua pele ressecar.
É só o tempo de compreender e deixar partir, tudo se desfazer.
No agora é só ela e o silêncio.
O Silêncio faz carinho na alma, na consciência, sarando devagar a ferida.
Vai precisar ficar mais alguns dias assim.
Nem email, carta, ligação, visita.
Ela dorme, esperando que no sonho a Inteligência superior
cuide bem de tudo que ela não consegue mais sozinha.

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