Marina chorava, sentada no banco da praça movimentada, a tardinha.
Não ligava se as pessoas passassem e olhassem. Sabia que ninguém pararia para perguntar. Nos dias de hoje todo mundo é estranho e suspeito.
Todo mundo tem pressa.
Olhar perdido, desencontrado daquilo que era entendido.
Como pode duas pessoas que se gostam ou se gostaram um dia se desrespeitarem tanto? Como pode amar e maltratar? Ofender? Foi sem querer?
Marina se pensava ingênua. Fora permissiva demais.
Por que sapateavam no seu território sagrado? Em cima de suas toalhas de renda, sua mesa posta para o amor?
Sua relações pareciam se esvair como areia ao vento. Num sopro só.
Sua vida ainda estava ali. Os personagens é que iam mudando, mudando,
girando, desaparecendo,...
Não voltaria no tempo, não fingiria que nada acontecera.
Seguiria adiante. Determinada.
Com seu vestido batido, seu pensamento firme. Ainda que seus olhos parecessem torneira velha, pingando sem fim, desperdiçando água a perder de vista.
Marina pensava: Eu vou vencer!... Mas chorar podia?
Se durante todo o dia trabalhasse, sorrisse, comesse, se banhasse, dançasse,
beijasse, abraçasse, fosse a padaria e caminhasse com as estrelas, e ao final do dia, deitada na cama, revendo seus passos, para limpar o que não ficaria, chorar era permitido?
Marina sozinha descompreendia, todo santo dia, aqueles jeitos de viver.

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