sexta-feira, 25 de julho de 2014

Amanhã

"A sua doença não era ela, mas o apego que tinha, se enganou um dia, pensando que era amor o que sentia.
Ele sabia, não a amava, se enganava, se perdia.
E passou a guerrear consigo mesmo, esquecendo que poderia estar em paz
sabendo que tudo se desfaz no momento em que se acredita que não existe mais."


O médico chegou de manso, olhou em seus olhos e por fim diagnosticou: Está sofrendo por falta de amor. Amor por si mesmo. Precisa de repouso. Sua energia se esgotou.
E como uma planta murcha no final de um dia todo de sol, ele fechava e abria os olhos, mirando o nada ou as imensidões silenciosas dentro de si.
Não tinha fome, não tinha vontade de espelho, há dias não tomava banho, e só sentia frio.
A sua irmã, de joelhos ao lado dele, afagava seus cabelos e pedia mimosa: Volta, mano. Volta.
Ele queria voltar. Só não sabia como.
Ele ia fazer uma revolução!
Seu coração no alto do rochedo ia bradar aos quatro cantos do mundo palavras de liberdade e paixão.
E ele seria rei de si.
Fechava os olhos e esperava.
Amanhã. Amanhã será o dia.
Amanhã tudo irá mudar.





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