É feio saber que uma pessoa só se interessa pela outra pelo que ela pode oferecer. Não estou falando de amor. Estou falando de dinheiro, um bem tão destruidor quanto facilitador na política institucional e economia em que vivemos.
Ele se interessou por ela porque ela parecia independente, forte, e era de família rica, parecia ter um futuro promissor. E ele se dizia sonhador.
Ela amava ele, mas ele tinha dificuldades em encontrar emprego, então o desânimo engoliu a relação, e se separaram por causa das diversas fomes e impossibilidades.
E, eu de cá, do centro de mim, na minha busca para saber exatamente quem eu sou e no que posso ter sustento, em todas as dimensões da vida, e realização, penso: Se alguém estiver ao seu lado, nas suas escolhas, sejam elas um sucesso ou apenas começos sem ter um fim, tiveram somente a necessidade de existir e só. Isso vale a pena.
(...)
E se ela gostar de uma vida simples, e se ganhar muito dinheiro não é uma coisa que seduza? Ela não vê tanta necessidade de carro, quer ter sua casa com suavidade, seu emprego inebriado de paixão, que beneficia não somente a ela mesma.
Se não interessar que ele tenha sua gravata, com seu carro do ano, seu emprego de vários mil reais, sua ambição distanciadora? Diz o que não vive.
Não vale a pena. Não vale o amor. Não crescem pessoas, não aprendem corações.
E ele vem me perguntar o que eu quero da vida.
Eu quero a vida e tudo que eu posso fazer com ela.
Se me desfiz de um passado que nada me dizia, sigo num presente que me engrandece, apesar de ainda não ter respostas e nada palpável, nada que eu possa mostrar nas reuniões de família, como estou sendo bem sucedida.
Desapego de mostrar resultados para ter aceitação ou admiração, sociedade doente e vazia, aparência conta mais do que ser. Clichê.
Não preciso de muito para viver. Tenho o que preciso para crescer.
E o amor brota do encontro das almas, e não das carteiras.
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