Na tua própria vida, na tua imagem no espelho,
nos passos do teu sapato, dentro das tuas roupas...
Antes era alma perdida. Reticente. Boca trêmula.
Tanta culpa. Os dias eram só explicações de cada gesto.
Toda palavra era errada. Toda a hora incerta.
Agora caminha devagar, mas se perder não vai.
Pode rir que tua paz e as tuas convicções não vão embora no riso,
nem tuas esperanças no pequeno momento aflito.
Pode abrir os braços agora, nada de teu fugirá.
Está tudo dentro, é no interior que teu universo florescerá.
(...)
Tinha tempo tanto, tanto tempo eu sem mim.Eu, alma penada, eu sem nada.
Agora eu tenho respeito, valorização, recuperei os sonhos
e acordar, despertar não é em vão.
Hoje eu tenho saúde, tenho solidão.
E as minhas roupas e o meu jeito não ofendem ninguém.
Nem ofensa nenhuma me chega, eu sou minha, minha amiga,
meu grande amor.
Minha casa está arrumada, e muito cuidado, só entra quem não bagunçar,
e só bagunça se eu deixar.
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