As paredes se romperam.
As paredes da prisão onde eu me encarcerei.
Com as mãos machucadas de tanto cavar,
corpo machucado de tanto me debater.
Agora posso sair.
E olhando o mundo, como se algo me espelhasse
vejo a minha verdadeira face.
Não adianta mais vir com mentiras
de interpretações várias de olhares tortos sobre mim.
Só eu tenho poder sobre a minha auto estima,
só eu sei quem eu sou, tenho plena consciência do meu caráter.
Fui fera perdida, ferida, subjugada.
Bruxa queimada na fogueira,
louca presa numa camisa de força, interditada pelos desvarios
do desejo de liberdade.
Nunca mais ficarei presa numa caixinha de desejos.
Oscilo, pois ainda não tenho controle da minha mente,
minhas emoções, meus sentimentos e pensamentos.
Mas suspiro e desabafo, em silêncio, para o Universo: Eu estou aprendendo.
E beijo a terra embaixo dos meus pés, abraço o vento que sopra os meus cabelos,
que me beija a boca e acaricia minhas feridas, ainda que não sejam visíveis.
Cortaram as minhas asas, e junto com elas a minha imaginação e o meu auto controle.
Afogaram meu Eu num caldeirão de preconceitos,
sufocaram-no com o travesseiro de uma realidade fantasiosa.
Amarraram meus pés, enganaram a minha voz e esconderam a minha força.
Mas, agora, agora eu estou livre, e existem caminhos à minha frente. Caminhos possíveis.
Às minhas costas, escombros dos mosaicos construídos pela loucura do cárcere: o passado.
Ainda que, por muitos vezes, tenha seduzido com nuanças de beleza enfeitiçadoras, são eternidades
que ficaram para trás.
Experiências que me experimentam sabedoria.

Nenhum comentário:
Postar um comentário