domingo, 25 de maio de 2014

Ainda.

Me desfaço daquele último olhar.
Esqueço da tua voz nos meus ouvidos.
Não aguardo o som do teu sorriso
nem a tua imagem para ser abrigo.
Prefiro o frio dos invernos rigorosos
ao teu amargo paladar, com invenções
a me cortar a carne, imaginando que a minha alma
distante da verdade estaria.
Não me importa se dias difíceis de solidão possam vir
e o espaço vão ao meu lado
se tornar cada vez mais vago...
Eu terei a mim mesma, maior amor, em mim mesma a liberdade total.
Porque sei que de mim não partirei.
Não porque estou presa, mas porque amo.
Amo o meu equilíbrio, a minha paz, a simplicidade
com que aprendo a me contentar e permanecer viva,
ainda que a morte venha me fazer ofertas invasivas e sedutoras.
Prefiro a minha solidão, pois nela conheci o meu respeito,
e o calor do meu próprio abraço.
No entanto, sei que o amor de outra alma virá
para se equalizar no mesmo ritmo
da harmonia que a minha existência imprime.
Mesmo que agora eu ainda tenha que viver com calafrios
na memória, eu sei...
Nunca mais serei desencanto, desprezada num canto
de uma história qualquer.


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