Você pensa: Nunca vai acontecer comigo.
Não é exatamente isso o que sinto.
E começa a sentir tudo e nomeia de preguiça, tristeza, consequência da perda.
E por todos os lados, a resposta está em cada pessoa que você conhece,
está naquele amor que não tem mais amor.
Procura nos sorrisos alimento para a alma.
Mas não é exatamente isso. Nada disso vai explicar a vida que deu um nó,
a garganta que não consegue engolir, e as lágrimas represadas dentro de si.
Sozinha. Sozinha eu não posso. Sozinha eu não sei como.
E começa a desaprender a sorrir, a andar, a tomar banho e a dormir.
Finge não se importar com os comentários sobre sua magreza e sobre
como não tem motivos para sofrer assim.
Finge. Até não mais se importar de verdade.
Neurologista. Psicanalista. Endócrinologista. Ginecologista.
E o Universo responde que é um tempo de se guardar para o cuidado
da mente e do corpo. Os sonhos e os amores podem esperar.
Pensamentos fixos.
Pensamentos que se vão com o vento.
Verdades que assustam.
E eu me olhando no espelho da vida, me pergunto, e se eu pudesse voltar no tempo, mudar certas passagens?
Eu pensaria melhor, estudaria mais, questionaria em miúdos e não teria
entregado a minha vida de mão beijada àqueles/as que não me conheciam.
E se a ancestralidade fosse colocada em seu lugar,
como seria a minha história agora?
E se eu tivesse viajado quando ele me convidou, talvez, quem sabe, tivesse agora o seu amor?
Coisas que nunca serão sabidas. Se perderam no meio das escolhas não feitas.
Estou no meio do caminho, e já aprendi a desviar das pedras, a passar por cima, a ensiná-las a rolar.
E a minha luz, que dia acenderá, brilhará? Ofuscará feito sol, de dia e meia noite?
O que tiver de ser será.
Enquanto isso eu vou costurando uma roupa nova para a minha vida, que andava nua.
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