Eu já quis voltar no tempo.
Tudo só por um momento, só por um amor.
Eu mudaria meus dias, os encontros lindos que tive com pessoas
que alargaram meu modo de sentir e ver... só por um momento...
Abriria mão, então, de tudo que conquistei até aqui, só para estar novamente
com alguém que não lembra mais o meu nome, não sabe qual é a cor dos meus cabelos, nem dos livros que eu gosto de ler...?
Era tudo o que eu queria há algum tempo atrás.
Até eu despertar do meu sonho de agonia, das cordas que prendiam o pé,
das lembranças que escravizavam o sentimento.
Quando acordei, estava só, havia me esvaziado de todo o antes.
O passado se foi junto com a febre emocional, o suor nas cobertas e a vida nasceu como a sede após acordar.
Só o cansaço físico me dava a exata noção de que vivi e não apenas alucinei.
Não estou presa no tempo. Consegui me desamarrar.
Sai andando devagar, embora a minha vontade era sair correndo,
desaparecer na esquina, gritando para ver se, com a força do desejo materializado, simbolizado pela violência da voz, eu poderia fazer a vida virar,
mudar de cenário, tocar outra música.
Estive em silêncio por esses dias.
Meu silêncio sagrado foi rompido pela voz de Bob, em Rebel Music,
tocando a meia luz, no meio da grama verde e da roseira em diversidade.
Era suspense. Era surpresa.Era a primeira vez, depois de muito tempo, que a vida me permitia sonhar.
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