terça-feira, 17 de maio de 2011

Um presente de aniversário

Acho que depois de muito tempo posso respirar aliviada.
Como se hoje fosse o primeiro dia da minha vida.
Reconheci todas as situações, reconheci o valor de todas 
as gentes...
E vi que é possível viver sem ter respostas, de viver o que a vida reserva,
sem aquela inquietação secular por cada coisa no seu lugar, linearidade,
ou isso ou aquilo, ou ama ou não ama.
Para os pés que pisam no meu sertão, retrato do meu universo interior, deixo a minha contribuição.
a minha versão da vida.
Existem mais coisas no comum ou no agreste de belo e singular do que se pode imaginar.
Contraditório. Mas nós, seres humanos vivemos de paradoxos e contradições, na busca
do melhor lugar e jeito de viver e sentir a vida, sentir as pessoas.
Como Anitelli escreveu: "...sinto que sou um tanto bem maior".
E como Tiê com sua voz encantada: "Só me resta a vida em mi maior, lá."
Só me resta a simplicidade.
Eu brotei. E quem me colheu foi meu amigo, minha alma gêmea ao avesso, 
desenrolou meu verso, e me ensinou que a vida é muito mais do que a história
pequena que eu tinha escrito até aquele dia. E eu recomecei.
E de uma história encantada vivida, em que eu era bem quem eu queria ser, 
onde ele me via passar e eu era a linda de alguém. Mas não era qualquer alguém.
Fomos terra fértil um para o outro no tempo de ser, e plantamos em nós um sonho.
Ele já colheu o dele. E eu? Eu não tenho pressa. Não tenho mais.
Feliz desaniversário para mim, e talvez feliz aniversário para você.




Doce Amelie

Um pouco de poesia
No meio da burocracia
Um grão de ternura
No meio do mar da indiferença
Um pouco de candura
Na superfície ríspida e austera
Minha linda apareceu tão doce, tão doce, tão doce...
Assim trouxe a mim
O fabuloso destino
E amei-lhe por lá

Resgata-me, eu imploro,
Do tubo digestivo dessa Besta Bruta
Que me ilude com os juros e as promessas
De um assento de pau
Que diz ter meu nome

Seja a afta
Na boca do último predador
Na cadeia capitalista

Livra-me

Me conduz com teu aroma
Aos campos árcades

Afta salvadora,
Escancaras o verbo entre tuas mãos
Os teus olhos inquietos dizem não
Mas me pega e me lê.

D.H.DM

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