segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Olhou para ele e sentiu suas pernas bambas.
Seu sorriso extenso tomou todo o ambiente
E ela assustava-se com o que via crescendo dentro dela..."
Se apaixonaria?
Mas e o seu tempo de solidão, de estar sozinha para conhecer-se,
para entender a sua nova condição?
Ela mulher, vinte e poucos anos, em busca de sua independência...
Mas estar solteira é o cúmulo, é atestado de caritó, de quem não consegue arrumar ninguém.
Até aquela menina desengonçada, caixa daquele mercadinho tem namorado e vai se casar em breve.
Não taparia os buracos da sua dor com certas vidas. Injustiça.
Ela sabia porque havia escolhido estar só neste momento da vida.
Mesmo sendo difícil enfrentar a realidade reservada àquelas que escolhem seu próprio caminho,
seu modo de viver, para subverter o que foi designado para as mulheres em idade fértil.
Tudo está com ela, sua beleza,  ciência, caráter, sexo, seu universo.
E tudo tem vida e pulsa, veias do coração de leão, olhos de águia. Pés, mãos e sentimento calejado.


"Eu sozinho sou mais forte
Minh'alma mais atrevida
Não fujo nunca da vida
Nem tenho medo da morte
Eu sozinho de verdade
Encontro em mim minha essência
Não faço caso de ausência
E nem me incomoda a saudade
Eu sozinho em estado bruto
Sou força que principia
Sou gerador de energia
De mim mesmo absoluto
Eu sozinho sou imenso
Não meço nunca o meu passo
Não penso nunca o que faço
E faço tudo o que penso
Eu sozinho sou a Esfinge
Pousado no meio do deserto
Que finge que sabe o que é certo
E sabe que é certo que finge
Eu sozinho sou sereno
E diante da imensidão
De toda essa solidão
O mundo fica pequeno
Eu sozinho em meu caminho
Sou eu, sou todos, sou tudo
E isso sem ter contudo
Jamais ficado sozinho
"

Solidão, Paulo César Pinheiro.

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