terça-feira, 10 de agosto de 2010

agora e sempre

Terça-feira, mais um dia do mês de Agosto.
As lembranças se diluem entre as vontades antigas, vestidas de roupas novas.
Quero dizer que andei atenta, eu queria me distrair, mas meu costume de inculcar com as coisas, me impediu de olhar despercebidamente.
Aquelas águas sagradas levaram embora a dor do meu passado, dos
meus sonhos irrealizáveis, partidos ao meio.
Levou os olhares e os acenos.
Levou o meu medo de acreditar, meu limite lógico, minha ira ancestral.
Quero um espaço que me caiba, o respeito por mim mesma que nunca tive.
Hoje o meu amigo me falou de amor e sobre as surpresas que as paixões
trazem, motivando criações e recriando o sabor exato para a sua satisfação,
o seu sorriso saboroso, o seu olhar alucinado e o seu peito explodindo em realização.
E eu desejei que esse sentimento nunca passasse, que sempre se renovasse nas indas e vindas e reviravoltas e pequenas voltas que a vida pode dar.
Desejei que a hora fosse sempre.



“Não acredito que te perdi”
cochichou perdendo a faixa
da música que deveria colocar
para as pessoas não escutarem
o que gritava tentando cochichar
ao ouvido da garota que se despedia
e que pensou escutar
“não acredito que te perdi”
mas não pediu para ele repetir
pois já tinha ouvido o ruído da faixa
terminando e ele afastando-se
para posicionar a agulha em qualquer
outro círculo e assim ninguém
reparar na garota que ali permanecia
na tentativa de ir embora.


Ao Som do Vinil, Valeska de Aguirre

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