
Sinto como se eu estivesse caindo num abismo.
Esperando só o momento de colisão. Ou isso ou eu aprendo a voar.
Dando dois passos adiante e voltando um.
Indo e vindo para tentar me certificar de tudo que eu desconfio saber.
Poemas feitos mentalmente só de olhar.
Sensação de ter encontrado meu lugar de descanso.
Minhas inúmeras perguntas para os questionamentos que vão na mesma direção.
Sensação do comum, do mesmo, da metade perdida.
E no momento da constatação minha alma se expande, evolui.
As cidades me afetam imensuravelmente.
Afetam os meus sonhos, minhas idealizações sociais, minha deformação política, minha constituição humana.
Passam por mim como trens, carregado de gente, de bagagem, ferro, minério e imaginação.
Eu sou a cidade. Com seus problemas de identificação, suas desigualdades, suas misérias,
seus momentos de piedade, de dignidade, de paixão e humanidade a flor da pele, sua ferida aberta.
Chaga sem remédio. Crises infindáveis.
Ele olhou para mim. O meu universo denso se expandiu.
O sangue correu novamente nas veias, nos pulmões, cérebro oxigenando.
Ele e a cidade.
Não posso fingir que não vivi, não andei pelas ruas, que não senti,
que não me afetaram nem que eu as modifiquei, que não sei, que esqueci.
Não acredito em horóscopo e suas previsões, que me impedem de acreditar na minha
liberdade de modificação da vida, subversão do encontro. Vênus de Milo.
"É preciso que a possibilidade seja real e não apenas uma coisa bonita para se acreditar, as vivências precisam ser permitidas"
Se eu pulei deve ter sido para ver o que poderia acontecer, mesmo que eu tenha descoberto no momento da queda.
3 comentários:
coisas bonitas por aqui. ah, te vi pelo sertão...
um dia ainda aprendo que é a queda que importa.
seja bem vinda em mim.
bonito d+ isso!
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