__E aí, como você tá?
Ele olha, dá de ombros, não sabe o que responder, monossílabos resolveriam?
__ Eu... eu tô bem...
Ela dormia pouco. Ultimamente estava com o pensamento e o olhar distante. Tinha medo e tristeza em pensar que a situação não poderia mudar. Tinha um diploma, mas não um emprego. Tinha um namorado. Queria mais amor. Não podia ter a sua casa desenhada tantas vezes no pensamento, idéia fixa. Muitas vezes se achava bem medíocre, livros lidos, vidas vistas, ouvidas... por que tão pouco fazia? Gostava de abrir os braços no entardecer, do alto do desejo, respirar um pouco para conseguir ir adiante. Tinha a percepção que desaprendia a falar, a ver, a viver. Precisava de um colchão novo. Desejava todos o dias uma oportunidade. Queria viajar. ir embora. Precisava escrever, mas não tinha caderno, nem lápis, nem dinheiro e o pouco de ânimo que lhe restava, enrolou num papel toalha barato e guardou no fundo do bolso, para não dissolver. Se sentia muito só. Tanta gente, andava torta com o peso de tantas vidas, sentidas, amassadas, divididas. Precisava de roupas novas, de pedir desculpas, de retocar o cabelo e não tirar as cutículas. Talvez aquele olhar antigo pudesse vê-la como precisava ser vista, lhe desse o abraço que precisava para descansar e esquecer, talvez ele pudesse cuidar dela... talvez o tempo tenha passado, talvez o passado tenha guardado o momento para o nunca mais. Ela sabia.
Ele apesar de ter terminado a graduação, não conseguira emprego. Sua casa antes grande para todos os seus sonhos, não havia mais espaço para a sua camiseta colorida, seus cds de Legião e a sua vida amarrotada. Não conseguia parar de beber, estava fumando mais. Preferia ser reservado, queria ser cuidado, protegido, embora se expusesse, necessário para libertação de sua categoria, da coletividade que representava. Andava sozinho com mais frequencia, estava comendo menos, conseguiu um trabalho para ganhar meio salário, num lugar que poderia ser escada. Queria viajar. Deixar a barba crescer. Não estava na hora de se apaixonar, guardou o sentimento depois que o alvo do seu amor cresceu demais e não coube ao seu lado. Chorava escondido, mesmo sabendo que homem pode chorar.
Ele apesar de ter terminado a graduação, não conseguira emprego. Sua casa antes grande para todos os seus sonhos, não havia mais espaço para a sua camiseta colorida, seus cds de Legião e a sua vida amarrotada. Não conseguia parar de beber, estava fumando mais. Preferia ser reservado, queria ser cuidado, protegido, embora se expusesse, necessário para libertação de sua categoria, da coletividade que representava. Andava sozinho com mais frequencia, estava comendo menos, conseguiu um trabalho para ganhar meio salário, num lugar que poderia ser escada. Queria viajar. Deixar a barba crescer. Não estava na hora de se apaixonar, guardou o sentimento depois que o alvo do seu amor cresceu demais e não coube ao seu lado. Chorava escondido, mesmo sabendo que homem pode chorar.
__ Esquisito isso de "como tá"não é? São tantas coisas...
__ ... É... são coisas demais para caber numa resposta tão pequena, que nem significa nada, na maioria das vezes."
Pequeno demais. São tantas coisas.
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