Embora eu não acredite mais nessas coisas que comumente aprendemos,
nossa herança histórica que dita como devemos viver e esperar as coisas
Mesmo com essa sensação e constatação do vazio interior
Não por não ter o que sentir e no que acreditar
Mas por tudo ter se mostrado frágil e passageiro demais
É difícil ter algo constante
O esconder de sentimentos
O orgulho
As aparências
Os jogos humanos... inúteis
Constante somente é a certeza de que tudo isso aqui vai acabar
Ou que eu vou morrer
E sempre se parece estar pisando em ovos
Não tendo direito a nada
As dádivas não chegam até aqui, o caminho é curvo demais.
Parece que sofrer por certas coisas nem é justo
Parece mesmo que a minha dor sempre será menor do que a da outra
ou do outro...
É como Amarante canta:
"Ela é mais sentimental que eu, então fica bem se eu sofro um pouco mais"
Não sobrou nem um sonho aqui.
A alma de cada pessoa dança ao som de uma música.
A minha é ao som do terno de reis
E o meu coração bate junto com os tambores
E a flauta faz um caminho de vento, sonho e devaneio
para todos os meus sentidos desconhecidos
meu mistério alucinado
minha vontade de não sei o quê.
"Quando eu morrer
Vou invadir o céu
MOntar na calda de um cometa azul
Arrastar uma corrente de estrelas
que oscilam no abismo
Girar como ciranda de luz
em torno da Terra
Fazendo versos de uma canção de amor"
Trecho do poema Balada entre Devaneios, Adelmo Oliveira.
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