eu pensava que ficaria louca antes dos 25 ou morreria antes dos 30.
Vivendo os 35 muitas vezes me dou conta da densidade de viver
de que estou envelhecendo sem sentir no total sendo que agora eu sei
Eu sei...
Não há mais portas, destruí todas as chaves de todos os cômodos de todas as casas
Meu peito onde bate um coração remendado é um labirinto divertido, com visões
caleidoscópicas, céus de supernovas e Lua nascente em Vênus, cheia em Marte,
crescente em Saturno e minguante em Plutão, signo de escorpião
Escolho as palavras que queria que alguém me dissesse, ou que eu dissesse a mim mesma
num tempo onde não posso precisar
Quando eu era criança ficava buscando provas da minha existência
Um copo na mesa, o travesseiro amassado na cama, as sandálias com os pés trocados
E ficava a observar por momento os vestígios para depois apagá-los, era imperioso deixar tudo no lugar. Então, voltava a ser fantasma novamente.
Se eu sumisse, morresse, alguém sentiria a minha falta, sentiria a minha presença?
Alguém teria memórias boas de mim, sobre mim?
Eu sabia. Era só eu. Eu e essa solidão imensa de existir.
Às vezes me sinto grave, reconheço meus olhos no espelho, o tanto que neguei quem
eu sou para ser o mais aceitável possível para o mundo
E o meu mundo? Intocável? Devastado? Desconhecido.
Não adianta saber ler se você não permitir que sua imaginação flua,
corra ou voe solta
Imaginação.
Eu nunca sonhei ou fui uma sonhadora medrosa, aterrorizada
Uma mente que adoeceu muito cedo por sonhar demais e lhe imputaram a responsabilidade de decidir por vidas quando não tinha condição de decidir por si mesma.
Cresceu e amadureceu da noite para o dia. Com a mesma violência que nasceu
Com a mesma violência que fora abandonada
Com a mesma doce e venenosa violência que criaram para que não sofresse e resultou no sofrimento dobrado e redobrado, torcido feito corda.
Eu queria ser escritora. Eu queria ser livre. Livre
Livre de tudo.
As palavras me construíram, me destruíram, me conduziram e agora se entregam para mim e brincam comigo como vaga-lumes ou cachorros loucos saltitantes rolando em areias ou gramas de qualquer lugar.
Posso reescrever meu nome? Minha História?
Como não posso ir embora de mim, quero me conhecer e me construir. Imaginação.
Possibilidades.
Ela disse: Você é a figura de um buda sentado no próprio coração.
Começo por isso. Estou em volta de mim, em transformação com o amor
Sublime.
Vivendo os 35 muitas vezes me dou conta da densidade de viver
de que estou envelhecendo sem sentir no total sendo que agora eu sei
Eu sei...
Não há mais portas, destruí todas as chaves de todos os cômodos de todas as casas
Meu peito onde bate um coração remendado é um labirinto divertido, com visões
caleidoscópicas, céus de supernovas e Lua nascente em Vênus, cheia em Marte,
crescente em Saturno e minguante em Plutão, signo de escorpião
Escolho as palavras que queria que alguém me dissesse, ou que eu dissesse a mim mesma
num tempo onde não posso precisar
Quando eu era criança ficava buscando provas da minha existência
Um copo na mesa, o travesseiro amassado na cama, as sandálias com os pés trocados
E ficava a observar por momento os vestígios para depois apagá-los, era imperioso deixar tudo no lugar. Então, voltava a ser fantasma novamente.
Se eu sumisse, morresse, alguém sentiria a minha falta, sentiria a minha presença?
Alguém teria memórias boas de mim, sobre mim?
Eu sabia. Era só eu. Eu e essa solidão imensa de existir.
Às vezes me sinto grave, reconheço meus olhos no espelho, o tanto que neguei quem
eu sou para ser o mais aceitável possível para o mundo
E o meu mundo? Intocável? Devastado? Desconhecido.
Não adianta saber ler se você não permitir que sua imaginação flua,
corra ou voe solta
Imaginação.
Eu nunca sonhei ou fui uma sonhadora medrosa, aterrorizada
Uma mente que adoeceu muito cedo por sonhar demais e lhe imputaram a responsabilidade de decidir por vidas quando não tinha condição de decidir por si mesma.
Cresceu e amadureceu da noite para o dia. Com a mesma violência que nasceu
Com a mesma violência que fora abandonada
Com a mesma doce e venenosa violência que criaram para que não sofresse e resultou no sofrimento dobrado e redobrado, torcido feito corda.
Eu queria ser escritora. Eu queria ser livre. Livre
Livre de tudo.
As palavras me construíram, me destruíram, me conduziram e agora se entregam para mim e brincam comigo como vaga-lumes ou cachorros loucos saltitantes rolando em areias ou gramas de qualquer lugar.
Posso reescrever meu nome? Minha História?
Como não posso ir embora de mim, quero me conhecer e me construir. Imaginação.
Possibilidades.
Ela disse: Você é a figura de um buda sentado no próprio coração.
Começo por isso. Estou em volta de mim, em transformação com o amor
Sublime.
Um comentário:
Vi muito de mim nesse texto, e como e bom nos ver na arte do outro, me trouxe o acalanto do pertencimento, do não estar só!
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