Seguro o instante entre os dedos.Dos teus lábios eternizados enterneço com aquele sorriso que me eriça todo o corpo e a vontade de estar eternamente ali, simples, irremediavelmente apaixonado ao teu lado.
Do teu olhar crescem cores, como caleidoscópio, e eu fico a imaginar se existe vida além das formas, imagens, vidas... Concebidas por meio de teu olho psicodélico, ingênuo, como quem vê o mundo, como quem vê tudo pela primeira vez.
Seguro as tuas mãos entre meus dedos, entrelaço sonhos na pulsação do teu corpo morno, teus cabelos frescos, teu hálito doce. E por algum motivo eu me questiono se estar vivendo este momento único ao teu lado não seja um devaneio da minha solidão, da minha febre devido a saudade que nunca mais me deixou depois que vi você partir naquele ônibus, de cores verde-musgo, tua lágrima por entre vidros fechados das janelas lacradas da casa que eu deixei para não ver que anoitecia e você não estaria para o jantar, nem para o café, nem ver o sol da manhã, com aquela esperança de uma vida boa, saborosa. Onde eu acordasse de manhã para ir ao trabalho, e viver o dia alegre porque você estaria ao final da tarde me esperando no parque, e eu saberia que a vida agora fazia sentido.
Você. A tarde. As configurações de um sonho. A vida que era realidade. As cores. O instante exato do teu sorriso.

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