Ele saiu pela porta devagar.
Tomando o rumo de todas as ruas.
As do mundo de fora e de dentro de si mesmo.
Olhando os céus, as cores, os olhares... Ele decidia.
Abriria mão de tudo.
Cada sonho que alimentou durante tanto tempo.
O grande emprego.
Aquele encontro de amor.
A casa com jardim, varanda, e cheiro de incenso de sândalo.
Abria mão de ter os cabelos dela entre seus dedos, sua cabeça
adormecida em seu peito.
Desistia de todas as certezas. Das histórias passadas a limpo.
De perspectivas políticas e espirituais.
Teorias científicas e literárias.
Tirava a jaqueta, a camisa, os sapatos,
De calças e braços abertos se jogau no rio.
Mergulhava fundo e emergia, sorrindo.
Não precisava mais se preocupar.
Não precisava pensar em ser.
Ele só existia.
E decidiu a única coisa que estava ao seu alcance.
Daquele momento em diante, seria total em cada momento da sua existência.
Apenas isso.
Seus mundos se expandiam. Ele pensava em tudo, pensava em nada.
Como água, ele fluía.
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