Parada em frente a este equipamento, não consigo deixar de engolir seco e chorar, com esses... Esses óculos embaçados e pensar: "Meus deus, por onde eu estive durante todo esse tempo?"
No meu universo urderground, com a minha cumplicidade humana às dores de todas as gentes e minha vida nos bastidores, ajudando gente a entender melhor sua própria vida e avançar na sociedade de cimento e mármore, enquanto eu sucumbia as minhas feridas e raiva da desigualdade gritante que vivida e sentida, por todas as gentes, durante toda a vida.
Se odeio alguma coisa? Ódio não serve para nada, não vai mudar nada. Não tocará a campainha da porta do ser querido e lhe dirá que tudo mudou. Não vai trazer luz para o meu caminho e eu saberei o que fazer de agora em diante.
A paixão da minha vida, se tornou a minha prisão.
Não quero mais escrever.
Não quero mais deixar cartas para você, tirar fotos do pôr do sol, dar conselhos, enviar presentes.
Eu sou o infinito que não se mede por contas ou coisas que se documentam. Me perderei na floresta, viverei com os bichos, ramando como as árvores... Eu não entendo o mundo. Este grande mundo.
Desconheço todos os rostos, as falas, as preces, as tentativas de me enquadrar no que conceberam como ser uma pessoa bela, guerreira.
Meu coração foi lançado ao universo. Pairo entre dimensões paralelas.
Eu? Você nunca me conheceu.
Eu sei rir, eu sei fazer qualquer outra coisa que qualquer pessoa no mundo faz.
Apenas me pergunto o motivo de fazer.
Eu sou das solidões. Nunca mais quero me envergonhar disso.
"Mister nobody". Esqueceram de apagar as minhas lembranças antes de me darem um corpo terrestre. Minha alma vive querendo fugir. Aqui não é minha casa, quero ir embora.
Eu quero a luz. Esqueça meu nome. Meu rastro no mundo será apagado.
Poeira de estrela.

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