sábado, 25 de janeiro de 2014

Eu era antes




O que fui, sou e serei.
Emagrecer, engordar, mudar o cabelo, as roupas, tentar mudar a alma.
A imagem externa procurou sempre se conciliar com a paisagem interna.
Como é que se desenha o caos, no corpo? Sem se violentar?
Sem se matar aos poucos em cada esquina de qualquer sentimento?
Pensamento sem eira nem beira, desavisado, martelando na cabeça?
Já fiz de tudo para ser outra, ser eu mesma, saber quem eu realmente era.
Mas o caminho era errado, de fora para dentro, de um dentro torto para um fora sempre deturpado. E se enrolando numa corda de enforcar.
O que eu era, sou e serei está sempre comigo.
Eu era antes.
Não posso nem poderei ter a vida igual a de quem quer que seja.
Nem quero. Não me perturbe, ilusão, com essa falsa realidade.
Imposições.
Ponho-me no meu lugar e me imponho.
Agora mãe, não corto mais o cabelo.
Sei que abandonei o violão, a máquina de costura, os vestidos de crochê...
Até eu me alinhar, só até eu me alinhar.



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