_ Não ser vista.
_ Vai tentar se matar de novo?
_ Não. Existem mil maneiras de sair do seu campo de visão. E o mais importante: Que você desapareça do meu. Inclusive das minhas paisagens mentais, faça-em, faça-me o favor de se retirar.
Não me chame de minha amiga, você não é meu amigo, não somos amigos.
Você não sabe do meu dia a dia, não sabe da minha última recaída, da minha cabeça quebrada, do meu novo sonho, do dinheiro pouco, do equilíbrio alcançado.
Por que eu tenho que estar sempre à disposição? Atendimento 24 horas para angustiados da alma?
Pouco me importa se vais ou não sentir a minha falta.
Na verdade nem me importa se procurou a minha presença.
Minha necessidade de explicações acabaram, enfim.
Meu caminho corre diferente, minhas águas não se misturam, não misturam. Deixa tudo que é ruim nas margens, à margem, e segue seu curso, discurso. Decurso.
Vomitei ontem aquele passado engasgado, e você era aquela espinha que me fazia tossir toda vez que eu queria cantar e falar de beleza.
Gosto de me quebrar inteira para me colar novamente, feito mosaico, pedacinho de vida, quebra-cabeça, une juízo.
Eu? Não conheço mais ninguém. De hoje em diante, reconhecerei somente a novidade, somente o que rompe fronteiras, o devez que se come verde com sal saboroso, o maduro que matura, quem eu sinto o calor das mãos.
(...)
Ainda escuto suas orientações, como sussurros na memória. Por àquelas palavras eu sigo adiante.
Vou descalça, vestido esvoaçando, sorriso sem artifício, pés ativos e vou correndo. Vou sem nada nas mãos depois que descobri que eu sou tudo o que eu preciso.
Compartilhar é possível. Depender é o desconhecimento, é o apagamento, a prisão...

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