quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Abstinência

Quatro anos.
Fazem quatro anos.
Quatro anos de médico em médico.
Neurologista, psicólogo, psicanalista, psiquiatra.
Terapia. Terapeuta. Radiografias.
Tremores, tonturas, traumas... Pânico.
Não me sinto bem ali. Aqui tenho fadiga.
Não consigo levantar. Não consigo dormir.
Antipsicótico. Antidepressivo. Ansiolítico.
Olha que rivotril causa demência, dependência, perda de memória!
Tomaremos então metilcobalamina. Fortalecerá o cérebro.

E eu querendo fugir, encontrar um meio alternativo de lidar com aquilo
que meu corpo sentia e eu desconhecia.
Quatro anos explicando minha falta de ânimo, de concentração,
meus sonhos estraçalhados feito souvenir de gesso pisoteado pelo chão da vida.

Tantos e tantas sabendo mais de mim do que eu. Conselhos por toda parte.
Distâncias.

A sensação de me rasgar, de dentro para fora, fazer fluir, como uma explosão aquática, sonora, todas as dores, as cores, os sentimentos atrozes que me fizeram caminhar até aqui. Vomitar um mundo que não me serve.

Um caminho alternativo. Minha única chance. Não última.
Uma vida é muito pouco para se experimentar todos os métodos de uma alma
humana conseguir libertação, evolução, entendimento.

Tantos pontos finais. Interrogações infinitas. Reticências a cada novo olhar.

E esse amargor na boca e a sensação de cair no abismo de si mesmo|a a cada abrir e fechar de olhos.

Sou uma afogada, sempre emergindo. 


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