Esquece o Mundo.
Se despe.
Escreve.
Falar da tua loucura, da tua alucinação,
dos teus repetidos erros,
precoces, tão iguais e próximos em sua sucessão, já não adianta mais.
Bater a cabeça na parede não vai te fazer esquecer da dor.
Pensa que causando uma dor maior, pode calar a voz da
dor que grita, mas, puro engano, arrumou foi outra dor
para doer, com mais intensidade, fazendo cada osso de seu corpo
reverberar- feito cordas tocadas de uma grande arpa -de assombro.
Esquece que não adianta lembrar.
Lembrar é dolorido e farto.
Escreve até teus dedos esfolarem, e tua letra for sangue.
Para te liberar dos teus monstros, da prisão que tu mesmo construístes.
Teus olhos são negros, perderam o brilho espelhado.
Acorda!
Tu não és estrela cadente, flor para morrer no deserto, cacto na viração.
Se desenrola feito cobra e segue teu caminho. Sem permitir por mais um segundo
que as injustiças te causem náuseas e te repuxem por dentro.
Vomita essa dor. Só a violência te salvará.
A violência de continuar viva e lutar pela tua sanidade e tua humanidade
numa realidade monstruosa de ilusões.

Um comentário:
O homem sábio não faz da sua dor fardo. Nem a exalta. Nem a convida a toda instante em sussurros reclamatórios.
A dor pode ser sua dor ou mesmo sua amiga.
Ou mesmo, na humilhação da concretude dos acontecimentos (pós-espera), A dor é nada.
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