domingo, 17 de fevereiro de 2013

Reticências

Desfez os sonhos.
Mas não foi ela, não foi por ela.
Árvore podada, cansada de mortes simbólicas.
Morrer já não adiantava. Na sua imaginação era o seu grito de protesto, o seu desabafo desesperado.
Ela sabia, não tinha forças nem imaginação para lutar como muitos e muitas
que estão por aí nas guerras diárias da vida, onde conseguiram superar
o que ela ainda mantinha. Mas o que era? Não sabia.
Sonhava com uma casa florida, uma porta vermelha,
um amor aos sábados, que brilhasse muito, muito, com o seu sorriso ao portão.
Sonhava com um emprego doce, deleite de prazer. Como tomar banho de mel,
fazer sexo como num suspiro profundo do momento eterno.
Sonhava.
Teve explosões emocionais, magoou e foi dilacerada.
Mais uma morte para a sua coleção cansada de desistências e mudança de rota, no seu barco inavegável, que, contudo, perdurava em alto mar.
É proibido sonhar? Amar? Aonde? Limitaram seus passos.
Era um pássaro de asas cortadas. Fênix em cinzas. Já não cantava de lamento.
Silenciava por solidão. Solidão das solidões. Universo em Luto;
Vida em reticências.


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