Leia os livros que quiser, use a roupa que gosta de usar sem pensar que pode agradar ou desagradar quem quer que seja.
Toque seu pandeiro desritmado, sua taska usurpada falsamente, no cair da tarde, ao amanhecer.
Tire suas fotografias desfocadas.
Por que você quer ser tanto você e enconde as coisas que mais gosta? Só se pode ser livre sozinha?
Sozinha você não tem obrigações em seguir padrões e alcançar expectativas?
Pode ouvir Pearl Jam e Legião Urbana sem que ninguém diga que não combina com a ocasião.
Sozinha você pode fazer e ser quem realmente você quer ser? É assim que entende a situação?
Ser visita para ser especial. Se sentir amada fazendo com que a saudade seja o ponto forte.
Visão deturpada de si mesma. Você sabe de tudo, mas comete os mesmo deslizes nos mesmos lugares.
Tem medo de amar? Mas se você diz que é movida pelo amor, veias, pensamento, intensidade lhe envolva inteira e te vire ao avesso.
Não admira ninguém o suficiente para citá-lo ou citá-la, como preferir, nas suas falas, mesmo reconhecendo que em suas palavras existem vestígios dos discursos alheios, parecidos, cúmplices e complicados.
Você quer ser livre mas se prende em armadilhas feitas de melaço, para moscas curiosas, ao invés de voar dando rasantes como as águias e corujas que você tanto admira.
Você é contraditória e oscilante. Paradoxal e... Linda. Absolutamente linda nessa sua busca voraz e atrapalhada por coisas que você almeja. Contudo lhe afirmo: é você mesma que se prende, que se limita e que não vê quem você é e quem pode ser."
E eu já não sabia se era somente a visão dele sobre mim, ou a minha visão que era semelhante a dele. Ou ainda que tudo era tão aquilo que eu queria ouvir que preferia acreditar que era a verdade que eu precisava.

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