quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Aparências e prisões

"Parecia inofensiva mas te dominou, te dominou, te dominou, dominou"
                                                                                                   Quinta-feira, Charlie Brown Jr.

Estive bem enquanto nossos caminhos não haviam se cruzado.
Ilusório responsabilizar alguém por alguma dor que você tenha, teve.
Inúltil.
Imagino se eu o construí, de acordo com as coordenadas dadas, a pessoa
que conheci dele, ou foi ele que se mostrou realmente, por momentos
pequenos e depois fechou as portas para qualquer outra tentativa
de aproximação? Invasão?
Quantas mentiras? Tantas verdades encobertas, maqueadas, colocadas
sobre a mesa?
Havia um banquete. Não soubemos dele desfrutá-lo.
Comparações? Respondo: Insegurança. Cada um tem o seu sabor,
e se a escolha foi pelo agredoce, não quer dizer que o meio amargo seja ruim. Certos sabores não são para qualquer paladar.
Talvez eu tenha, mais uma vez, caído na armadilha de ver numa pessoa
o que ninguém mais vê.
Ou talvez o que veja seja a mim mesma, elementos de mim que naquela pessoa desabrocham. 
Me busco nos outros.
Me apego ao sentimento de tal maneira que se torna pensamento fixo,
angústia pela esperança de uma resposta para o meu mal, meu inferno
astral, pelo desconcerto da minha alma.
No início é inofensivo, mas com os dias, a busca se torna uma prisão.
E me aprisiono a sorrisos, a cheiros, a atalhos para verdades escondidas
no olhar, lembranças do sabor da boca, da textura do cabelo, da temperatura da pele, do timbre da voz, do jeito de pensar, falar...
Me aprisionei. 
Me liberto quando me vejo única, solta no espaço, fazendo
parte, encontrando respostas onde em mim brotam questionamentos como
harmonia de um instrumento tocado no silêncio aparente do instrumentista apaixonado, que busca na música sossego para o seu terror interior.
Quando questiono é que sou livre. Sou livre quando não preciso do outro.
Livre quando as existências se cruzam e se doam, se engrandecem e se respeitam nas suas individualidades humanas.
Livre quando compreendo.




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