Um coma. Uma mágica. Tragédia.
Eu queria morrer. Queria outra vida. Essa vida nem é minha.
Eu nem gosto de nada nela. Eu nem sou eu nela. Sou uma coisa,
nulidade ambulante.
Às vezes me transvisto de um colorido imaginário, roupa do rei de Roma invisível,
que um costureiro oportunista e atrapalhado costurou. E só as crianças vêem
certas verdades.
Finjo que os desgostares nem existem. Que nunca provei da tua covardia, do teu
amargor, da tua mentira vil, mil vezes jurada como verdade sincera.
Finjo não ser ingênua, não ser tapete felpudo onde importâncias limparam os pés.
Eu queria poder virar ao avesso, talvez o outro lado fosse melhor do que este.
Deste, eu nem gosto.
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| Capa do Livro "Primavera nos Ossos", de Állex Leilla |
Um comentário:
é fato, só as crianças conseguem ver muiiito mais que os incrédulos adultos. as vezes tmb visto um colorido imaginário mas tento ver nesse colorido alguma cor que me faça bem. se virar ao avesso é melhor? ainda não sei, por enquanto tenho medo, mas esse medo vai passar, consumir-se, evaporar! e quando isso acontecer, ah quando isso acontecer.
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