sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ela perdida. Era só o que sabia. Ruptura.
Adoeceu até a morte de suas ideias.
Esqueceu a gramática, sintaxe, língua portuguesa, conjugações verbais.
Seu pensamento só a levava a passear pela noite chuvosa, sozinha,
na busca.. talvez achasse no aparente nada o seu sistema solar,
seu sol em que pudesse começar seu movimento de translação e rotação
e voltar a ter dia e noite e não somente este gosto amargo do nada.
Das lembranças, dos fantasmas.
Quem era ela? Repetia infinitas vezes para ninguém ouvir, em alto e bom som,
ecoando em seus ouvidos ocos: Eu não sei quem eu sou. Não sei. Não sei.
Seu cabelo, suas unhas, sua voz.
Tinha dois amores. Um imenso que nascia e morria com ela.
Outro que a adormecia da dor de não ter o amor perdido.
Era preciso acabar para continuar. Para começar enfim.
Tantos olhares, tantas vidas.
Se reconheceu covarde. Impulsiva. Ingênua. Burra.
Suas lágrimas já não lhe concederiam abrigo ou lucidez.
Era o fim. Sem bifurcações.
O caminho acabou.
Agora é abrir uma clareira, construir um caminho diante
dessas ervas daninhas, pedir licença a Ossanhe para prosseguir.
Descansar um tempo na copa de Iroko,
para ouvir os seus segredos e reaprender o que é ser um ser humano novamente.
Sem barganhar com os astros.
 Só sua cara suja, suas mãos vazias e a sua fé fraca.


Nenhum comentário: