"Quando enfrentava conflitos, murchava feito planta em sol quente de caatinga.
E se fechava, e chorava, e mergulhava na prisão que construiu sem perceber, dentro de si mesma.
E como gente, ia se apagando, feito vela se finalizando no pires.
Ficava sem voz, sem jeito, o olhar embaçado feito pessoa que já morreu,
feito zumbi, lembrança ruim.
E se enchia de pergunta sem resposta.
Cheia de respostas tortas ela seguia seu caminho circular,
àquele de nunca sarar, de aperto sem fim do seu corpo pequeno, seu coração desbotado.
Mas... e se desta vez fizesse o caminho contrário? Não o de circular,
mas o de sair do círculo. E se imaginasse linhas? E se não pensasse em nada,
somente corresse numa reta, numa curva, angular?
O caminho para a liberdade seria seguir o contrário daquilo
que tinha costume de fazer.
Era ir de encontro? Encontro a quê? A quem? A si mesma?
A porta de prisão na tentativa de arromba-lá? Ou já não havia portas
e sim o medo, a mania velha, o fazer cristalizado?
Pela primeira vez lhe ocorreu: Não precisava mais dar satisfações.
Já pagara sua dívida com o divino. Já rompera e reatara os laços que antes enforcavam os amores. Agora com linhas elásticas, coloridas, de ir e vir, sem prender
nem apertar, só ligar porque queria, porque era do ser ser par, ser três, ser mais do que um, uma.
Talvez essa fosse a hora de exercitar de verdade a sua fé, sua própria fé.
Não somente no sobrenatural, mas em si mesma."
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