Em 2009 a minha paz entregou o seu atestado de óbito.
Mas há muito ela já vinha dando sinais de fim.
Até mesmo antes, já não havia muita coisa.
E o que era a vida? Eu nem tinha uma.
E o que era a vida? Eu nem tinha uma.
Vivi a vida de outras pessoas, tentando chamá-las de minha.
Identidades que não me correspondiam.
Modo de tornar o meu vazio um pouco menos doloroso.
E busquei, e fiz, desfiz, para ver se a dor passava, se aquele aperto de décadas diminuía.
Mas a dor só me engolia, me mastigava, me cuspia, regurgitava,
E busquei, e fiz, desfiz, para ver se a dor passava, se aquele aperto de décadas diminuía.
Mas a dor só me engolia, me mastigava, me cuspia, regurgitava,
me apertava e desfazia em pedaços.
E o que era? Quem podia ajudar, se só eu é que sentia?
Se dizer não podia? Com quem dividiria?
E o que era? Quem podia ajudar, se só eu é que sentia?
Se dizer não podia? Com quem dividiria?
Tudo pior ia se tornando.
Comecei a acreditar que a razão me abandonaria a qualquer momento.
Mergulhei na escuridão emocional.
Mas, se eu decidisse acabar com essa sombra de vida que eu vivia, como seria?
Ia ser só isso?
(...)
Acho que estou ressuscitando.
Não posso separar o natural do sobrenatural, seguir a lógica cartesiana, o materialismo marxista. Não posso estar apegada ao pensamento europeu para entender a existência,
para compreender a vida, que é muito maior do que épocas e seus pensamentos e pensadores/as.
Reconhecendo essas questões me sinto revivendo.
(...)
Hoje, sinto como se me tivessem devolvido o coração.
Hoje, sinto como se me tivessem devolvido o coração.
Franny Glass- Escuadras
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