A insônia me sussurrou verdades, fatos, acordando inquietações que eu preferiria
ter acabado no dia em que resolvi não mais dormir nos lençóis vermelhos da angústia.
Eu sei que disse muitas vezes que iria embora e não fui, que não escreveria outra vez, não ligaria, não me importaria. Mas acabava sempre voltando atrás, sempre me preocupando vezes seguidas. Com que exatamente?
O que me incomoda no agora? As vidas seguem e a minha não.
Como assim "eu fiquei estagnada"? Tudo aconteceu.
Me desfiz em pedaços e recomeço novamente.
Vivi anos em circulos, mas parada, parada nunca estive.
Vivi as outras vidas buscando encontrar-me um dia, um encontro comigo mesma, que parecia nunca acontecer.
Fui como um cachorro nervoso, dando voltas, circulando em busca do próprio rabo. Para quê? Só por se sentir estressado, preso, cansado.
Preciso parar, vezes seguidas, rever os meus passos, me libertar do compasso
que me indicava uma linha reta, distanciado-me das minhas curvas, mal delineadas do meu eu, perdido no tempo.
Eu sempre precisando rever, "por quê". Reconheço e me liberto.
Não quero ser melhor do que ninguém, não quero viver para mostrar.
Não quero ter que, ter de, só para provar para quem? Para quê?
Um pé no passado outro no agora. Só se for para crescer.
Duvidar só no processo de crescimento, na busca e não para alimentar o medo
e continuar o mesmo/a.
Do que eu gosto, o que eu quero? Vou desenhando quem eu sou, tendo paciência para ser.
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