quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Preferiria que atrás de mim houvesse (tendo há muito tomado a palavra, dizendo
antecipadamente tudo o que eu vou dizer) uma voz que falasse assim: 'Devo continuar. Eu
não posso continuar. Devo continuar. Devo dizer palavras enquanto as houver. Devo dizê-
las até que elas me encontrem. Até elas me dizerem — estranha dor, estranha falta. Devo
continuar. Talvez isso já tenha acontecido. Talvez já me tenham dito. Talvez já me tenham
levado até ao limiar da minha história, até à porta que se abre para a minha história.
Espantar-me-ia que ela se abrisse.'"



Foucault, A ordem do discurso.

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