sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Se quero um jardim dentro de mim, eu primeiro que tenho que preparar a terra, plantar as mudas,
regar e cuidar para que a vida aconteça.
Não esperar que tudo venha de fora, para então eu poder retribuir.
Ofensas de quem se gosta à parte, reciprocidade é essencial, mas caso ela não venha, chega um dia em que os recursos diminuem.
Sem cuidado, nenhuma fonte será renovável.
Os ciclos são atingidos, modificados, e a capacidade delicada e complexa de se refazer sucumbe a exploração, ao tirar, retirar e não colocar nada em seu lugar.
(...)
Entrei na noite imensa, não percebi nem o momento nem a imagem.
Me desesperei por não conseguir enxergar.
E fiquei muda, surda. Presa dentro da parte mais tortuosa de mim.
Comecei a chorar, por não haver mais nada a fazer.
Foi então que ouvi a voz do tempo a me dizer que é preciso aprender a ver, tanto no claro como no escuro, dia e noite. A pior cegueira está no interior.
Se você não vê, aprenda a ouvir, a sentir.
Resolvi abrir os braços e aceitei: Noite, me leve para a tua eternidade, me ensina os teus mistérios.


"Sei que esta noite ainda é longa
E longa será
Navego na luz deste cerco infinito
Sigo enquanto espero- e não me finjo
E canto e lento me faço caminhar

Sei que esta noite ainda é longa
As estrelas dão vertigens no céu
Visto meu casaco azul de malha- e saio
De cavalo de pó e nuvem pelo espaço
À procura da face oculta de Deus"

Adelmo Oliveira

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