O que eu deveria dizer não é o que é preciso dizer.
As cartas dizem que esse é um momento feliz, as moedas que é tempo de reclusão, de cuidar de mim.
Ontem percebi que me acostumei a esperar sempre o que estar por vir,
sempre a chegar, aquilo que nunca está.
Sensações.
Faz muito tempo já, mas ainda sinto falta de conversar com ele, de olhar nos olhos, de ouvir a voz, as histórias.
Às vezes, percebo, como um choque, não há mais sentido nessa saudade.
Só agora consigo ser franca comigo mesma. Choro e sorriu francamente,
sem responsabilizar ninguém por tudo aquilo que não é mais.
Deve ser o caminho para o desapego, para outro estágio do relacionamento.
(...)
Eu, muitas vezes, quis acabar com esse espaço aqui. Poeira no universo.
Mas volto, vejo meus retratos gráficos, ainda que menores intelectualmente,
limitados, dramáticos, senhas para obter respostas, buracos negros da memória.
Talvez eu mude. Talvez eu desfaça quando chegar a hora.
Hoje me senti no eixo, engrenagens lubrificadas, tudo no lugar.
Me senti saborosa, corada, roliça, saudável, viva.
Finalmente, quem sabe, eu tenha encontrado o assunto certo para a minha conversa perdida no tempo, para começar a história nova para o resto dos dias.
Fico pensando se vou conseguir desenvolver esse projeto novo, essa coisa preciosa que vem chegando para mim, alcançada com muito esforço, depois de tanto tempo.
Existe tanta gente dentro de mim. Quero aprender a lidar com a diversidade,
de dentro e de fora.
Sinto tantas saudades. Dela, dele, daquele dia, do outro cheiro, de um abraço específico, da diferença que me somava.
Só sei seguir adiante.
Não sou poeta. Tenho dificuldades gigantes para tocar o meu violão.
Nunca mais tive nada de meu, nem uma palavra. Só repetições.
E do que eu sinto mais falta. De criar, inventar.
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