sexta-feira, 22 de abril de 2011

Olhos abertos

Ele pegou na mão dela com força e olhou em seus olhos.
"Não volte! Não volte!
Mesmo caminhando com dificuldade, siga adiante, agora que você tem conseguido
ser você mesma, descobrir seus lugares ocultos, seus passos de dança,
aquele sabor de vida que você sempre buscava.O outro nível.
Embora a impressão que temos, tantas vezes, é de uma vida sem esperança, em que 'os grandes sempre vão vencer', que os aparelhos ideológicos estão dia após dia a cegar e segregar, a apagar as cores.
Eu sei que você pode lutar, com a suas armas, tem muita coisa bonita no mundo, é a resistência,
é a utopia, a esperança, a crença, a fé com os pés plantados na terra. Abre esse peito para ele florescer!
Não volte!"
Ouviu o som que vinha de uma banda que tocava no estacionamento, lembrou do peito apertado,
do tanto de caminho que ainda havia e percebeu que podia trocar os sapatos usados e enxugar
o seu olhar molhado. Estava livre, finalmente.

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