Sonhar um sonho novo,
para se sentir um tanto mais leve.
Pena não poder modificar certos pontos da realidade
com a mão, com o pensamento, com um olhar diverso.
Pena não ouvir em todos momentos aquela música,
que eriça o sonho, esquenta a alma,
faz soltar os cabelos e respirar o que não havia a segundos atrás.
Ela só se confunde com o agora, com o que fazer,
com o acostumar-se com o fazer, com a espera que se faz.
Novidade agora, o seu coração alcança a completude, não ele inteiro,
mas a parte que sempre estivera vazia de tudo, e a fizera
andar meio de lado.
Vazio pesa.
Mas o seu corpo também precisa de satisfação,
seus dias precisam de uma casa, de coisas que a vida adulta
pede para ser e continuar.
Já não consegue pintar as unhas de outra cor.
Já não dorme como alguma vez dormiu.
(...)
Mas o que é tudo isso?
O livro que ela mais gosta de ler,
de escrever, reescrever diversas vezes,
com canetas de cores diferentes,
riscando as bordas das folhas com desenhos que procuram ter vida,
através dos sonhos que dividem com quem a lê.
Mesmo sabendo da possibilidade do sofrimento.
Resolveu confiar.
poR QUE TUDO TÃO ELA?
tUdo tão dentro dela?
Afirmação?
Quisera responder, sendo muito mais
do que podia ser, agora, ontem,
todos os dias que pudesse lembrar
e ver, nitidamente...
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