domingo, 21 de setembro de 2008

Onde eu "ando" sendo...

Paixões silenciosas,
que vão falando em nós, de nós, por nós.

O que eu quero faz o que eu sou?
Eu me transformo a partir daquilo que quero?
Eu só quero ser livre.
Resisto.



Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se
não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é
partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades,
nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia,
mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e
indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma,
tudo varia — o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia, Os
séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e
fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua."


A rua, JOão do Rio*

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