
22:25.
POderia estar em outro lugar,
sentindo outros sentimentos.
Certas conversas é melhor que não tivessem acontecido,
certas pessoas deixam o dia mais leve,
outras é como se o mundo todo sufocasse.
Eu não quero ter uma vida medíocre,
gastando os meus dias numa vida cinza,
funcionário público.
Sim que toda profissão tem a sua importância,
e todo/a servidor/a, todo/a trabalhador/a tem o seu valor.
Mas eu não quero viver trancada entre paredes e computadores.
Quero produzir em cores e língua portuguesa do Brasil.
Cooperativas.
Artesanato.
Comunidades pequenas,
expandindo o interior de seus sentidos,
sempre vivos, tenazes.
Quero jardim, cheiro de comida,
um gato no muro, cortinas coloridas.
Quero saber onde estou, e querer estar onde estou.
QUero poder ir, e saber voltar.
...É que quando vem a tarde a vontade de viver junto aumenta.
De construir casas e comprar comida para o jantar.
De descobrir e aprender tudo o que eu não sei.
Quero me livrar do peso de mim mesma,
do peso de ser alguém que eu não quero,
de ficar calada enquanto tudo em mim grita.
Não quero viver esperando.
Não quero viver a espera de coisas que parecem nunca chegar.
(...)
Eu ainda não disse a ninguém.
Talvez não vá dizer muita coisa.
Mas eu... ainda... quero viver...
eu não disse... não disse...
não há quem...
"Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo."
Sereníssima, Legiao Urbana*
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