sexta-feira, 20 de junho de 2008



Fingir que estava tudo bem.
Sua única saída para não morrer, pensava dia após dia.
E nos dias de inverno a sua sensação de sufoco parecia
crescer como o frio que vem na medida do anoitecer.
Sentia uma enorme angústia, que aumentava por não saber o seu
verdadeiro motivo.
Passa hora como se fossem dias.
Passam dias como se não passasse o tempo.
O tempo para as coisas que se queria.
Não quisera morrer, assim como pensara durante
muito tempo de sua vida.
Só não gostava da vida que vivia
e sabia, se continuasse daquela maneira
certamente morreria, como planta seca esquecida
no canto.
Viver como se fosse enlouquecer ao próximo passo dado,
o precipício, a última chance... nem sabia mais se queria ter
chances para as mesmices do dia a dia.
Procuraria algo que diminuísse suas faltas, o buraco da alma,
a falta de ar causada pela realidade que nunca queria.
Ouvia.
Assistia.
Aprendia.
Era sempre um peixe fora d'água nesses lugares cheios
de gente meio vazia, buscando se preencher com vento.
INventar uma realidade.
Sua única saída para não
se transformar nesses seres inanimados, uma parede,
uma cadeira, uma porta fechada...
E o peito sufocava... explodia!


Escrever nem uma coisa Nem outra -
A fim de dizer todas

Ou, pelo menos, nenhumas.

Assim,
Ao poeta faz bem Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.


Manuel de Barros



*Sentimental, los hermanos

Nenhum comentário: