Ideal mesmo é que, aquela com quem estejamos nos entenda o
máximo que puder, o tanto que necessitamos ser entendidos/as.
Entendidos/as no silêncio, na raiva, sorriso, chateação, no esquecimento.
POrque o que eu preciso não é de alguém igual a mim, mas
de alguém que me entenda. Que entenda até o não entender.
Ela disse que se sentia muito só. Sempre muito deste jeito.
E o que fazer para ela sarar? Disse que nunca teria cura para certas dores.
O que eu podia fazer? O que alguém poderia fazer? Qualquer alguém.
Só ficar ao lado dela.
É só hoje.
Inegável.
O sentimento do dia é do dia, não dá para amanhã.
Ele nem sabe dos livros que ela gosta,
não sabe que para falar qualquer coisa
suas idéias precisam amadurecer,
pensa e repensa as situações,
aprende muito de si tentando entender os outros.
Ele não sabe da maior parte dela.
Ela pensa que ele não a quer o suficiente para o amor,
o romance que alimentaria a sua alma seca.
Seu coração de deserto.
Não tinha quem resolvesse suas neuras,
se resolvia sozinha, calada num canto onde pudesse
encontrar Deus.
Festejaria os festejos de São JOão.
Queria ver as fogueiras acesas, o barulho das bombas,
o sonho de antes.
Ouvir as músicas que saiam das casas que festejavam.
Mesmo que a sua vida se parecesse com um corredor vazio.
Todo corredor leva a algum lugar.
Talvez amanhã. Quem sabe chegaria onde encheria de cheiro
de entardecer a sua alma cativa, esfomeada do mágico,
do comum diferenciado.
Disse que as coisas seriam diferentes.
E sem perceber ia morrendo para nascer outra vez...
Morrendo... e nem ela mesma sabia o que ficava ou o que ia.
Só conseguia decidir o que não queria mais, depois de tanto tempo.
Cai cai balão na minha rua cheia de sabão,
escorrega pela garganta e enche os meus pulmões,
aperta o meu coração.
Cai cai balão aqui na minha mão, como estrela que realiza desejo.
***
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